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Como usar uma tabela de comunicação?

há 5 horas
5 min de leitura

1. O que é a Comunicação Aumentativa e Alternativa?


A Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) reúne estratégias, símbolos, imagens e ferramentas que ajudam as pessoas a comunicar. É especialmente útil para quem tem dificuldade em falar ou em fazer-se compreender através da fala (meio oral verbal). A CAA pode complementar a fala ou algum tipo de comunicação que a pessoa tenha.

Comunicar não é apenas falar, também podemos comunicar através de gestos, olhares, expressões faciais, imagens e símbolos em simultâneo ou como alternativa, tornando válida qualquer forma ou tentativa de interação.


2. O que é uma tabela de comunicação?


Uma tabela de comunicação é um dos vários sistemas de comunicação que se podem usar, contendo imagens, símbolos, palavras ou fotografias. Deve ser adequado ao perfil dos utilizadores e aos contextos de uso, potenciando uma comunicação mais eficaz e com diversos interlocutores.


Exemplo de uma tabela de comunicação com cartões destacáveis
Exemplo de uma tabela de comunicação com cartões destacáveis
Exemplo de uma tabela de comunicação portátil
Exemplo de uma tabela de comunicação portátil













Exemplo de uma tabela de comunicação num parque infantil
Exemplo de uma tabela de comunicação num parque infantil

As tabelas podem ser impressas em papel, estar em quadros, digitalizadores de voz ou utilizadas num telemóvel, tablet ou computador, podendo ser acedidas pelo toque, apontando, ou com dispositivos facilitadores como switch e/ou outros meios de acesso.

Cada imagem ou pictograma representa uma mensagem que a pessoa pode querer transmitir, como por exemplo:


Cumprimentar: "Olá" e "Adeus".

 Expressar sentimentos: "Estou feliz" ou "Estou triste".

 Pedir alguma coisa: "Quero comer" ou "Quero beber".

Comunicar necessidades: "Quero ir à casa de banho".

 Expressar escolhas: "Sim", "Não" ou "Não quero".

Partilhar opiniões: "Gosto" ou "Não gosto".

Fazer comentários "Que fixe!" ou "Que seca".


3. Como utilizar uma tabela de CAA?


PASSO 1 - Mostrar a tabela (acessibilidade)

Colocar a tabela num local visível e acessível à pessoa. Certificar-se que o utilizador consegue ver as imagens e selecionar os símbolos da forma que lhe for mais confortável. Manter a tabela disponível durante todas as atividades do dia a dia.


PASSO 2 - Exemplificar como se utiliza (modelagem)

Não esperar que a pessoa saiba utilizar a tabela de imediato. Mostrar como funciona, apontando para as imagens que representam o que vai dizendo (Por exemplo, se estiverem a lanchar, apontar para o símbolo de “beber” enquanto diz a palavra “beber” ou se quiser oferecer água, pode apontar para o símbolo correspondente).


PASSO 3 - Usar regularmente (Consistência)

No dia-a-dia ou em atividades previamente selecionadas (ex: hora do lanche) continuar a falar naturalmente enquanto utiliza a tabela. Por exemplo, dizer «Queres água?» e apontar para o símbolo da água todas as vezes que o fizer, criando uma rotina. Desta forma, o utilizador pode associar a palavra falada à imagem e tenderá a imitar esse comportamento comunicativo porque o compreende.

Importante: não é necessário apontar para todas as imagens. Escolher as que fazem sentido naquele momento.


PASSO 4 - Dar tempo para responder (espera-estruturada)

Depois de fazer uma pergunta ou apresentar uma escolha, esperar calmamente mantendo o contacto ocular e uma postura expectante. A pessoa pode precisar de mais tempo para olhar, compreender, escolher e responder.

Evitar repetir a pergunta muitas vezes ou responder por ela. O silêncio também faz parte do tempo de qualquer comunicação.


PASSO 5 - Respeitar a resposta (condicionamento)

A pessoa pode comunicar através de um gesto, de um olhar, de uma imagem ou de uma palavra. Observar e valorizar todas estas formas de comunicação mesmo que não sejam compreendidas imediatamente. Pedir para reformular usando outra forma de comunicação (ex: Queres isto? Se sim, aponta para o “Quero”), mas validando a anterior. Se não tiver a certeza do que a pessoa quer dizer, confirmar com calma, usando a tabela (Por exemplo: “Estás a dizer que queres água?”).

Não obrigar a pessoa a utilizar a tabela de uma forma específica ou sempre que queira comunicar algo. O seu uso deve surgir por iniciativa do seu utilizador para potenciar a motivação no seu uso a longo-prazo.


Exemplo de uma tabela de comunicação com a chave de Fitzgerald
Exemplo de uma tabela de comunicação com a chave de Fitzgerald

Importa relembrar que os pictogramas podem ter a indicação da categoria de acordo com a chave de Fitzgerald com cor de fundo ou só com contorno, sendo importante priorizar os contrastes e o perfil dos utilizadores de forma a facilitar o acesso ao significado da célula.


7. Quem pode utilizar uma tabela de comunicação?


Qualquer pessoa pode beneficiar de uma tabela de comunicação. Pode ser útil para crianças, jovens ou adultos com diferentes necessidades de comunicação.

A tabela deve ser adaptada à pessoa/contexto, considerando as suas capacidades, os seus interesses, o ambiente em que vive e participa e as mensagens que precisa de transmitir ou compreender.

A família, os profissionais de saúde e outras pessoas próximas podem ajudar a tornar a comunicação mais acessível usando sistemas de comunicação no dia-a-dia.

 

O que devemos fazer?

O que devemos evitar?

  • Falar naturalmente e utilizar a tabela ao mesmo tempo;

  • Apontar para os símbolos enquanto comunicamos;

  • Dar tempo para a pessoa responder;

  • Aceitar diferentes formas de comunicação;

  • Respeitar as escolhas, as preferências e as recusas;

  • Utilizar a tabela em diferentes situações do dia a dia;

  • Adaptar a tabela às necessidades e aos interesses da pessoa;

  • Incluir palavras para expressar opiniões, sentimentos e necessidades;

  • Incentivar a comunicação sem pressionar.

  • Não obrigar a pessoa a utilizar símbolos quando não quer;

  • Não retirar a tabela como castigo;

  • Não falar sempre por ela;

  • Não exigir que a pessoa aponte perfeitamente para uma imagem;

  • Não utilizar a tabela apenas para pedir comida, bebida ou objetos;

  • Não assumir que a pessoa não compreende só porque não fala;

  • Não limitar as mensagens a respostas como «sim» e «não»;

  • Não ignorar uma resposta só porque não foi dada através da fala;

  • Não moldar a mão da pessoa, mas sim modelar.

 


A tabela de comunicação deve estar disponível para comunicar livremente, e não apenas para responder a perguntas dos outros.


Referências Bibliográficas:

 

  • Fitzgerald E.M (1962) Straight Language for the Deaf: A System of Instruction for Deaf Children 9ed. Washington publisher

  •  Duinmeijer, I (2025). Language, Communicative Participation, and Well-Being in Young Children with (Presumed) Developmental Language Disorder. International Journal of Language & Communication Disorders

  •  Prelock, P. A., & Hutchins, T. L. (2018). Clinical Guide to Assessment and Treatment of Communication Disorders. Springer International Publishing.

  • Sigafoos, J., Lancioni, G. E., & O’Reilly, M. F. (2025). Communication Strategies for People with Severe Disabilities. Springer International Publishing

  • Duinmeijer, I (2025). Language, Communicative Participation, and Well-Being in Young Children with (Presumed) Developmental Language Disorder. International Journal of Language & Communication Disorders

  • Prelock, P. A., & Hutchins, T. L. (2018). Clinical Guide to Assessment and Treatment of Communication Disorders. Springer International Publishing.

  • Sigafoos, J., Lancioni, G. E., & O’Reilly, M. F. (2025). Communication Strategies for People with Severe Disabilities. Springer International Publishing

 
 
 

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